10 músicas "esquecidas" do Bad Religion

Formado em 1980 e ainda em atividade, o Bad Religion se tornou uma instituição do punk rock com músicas icônicas do calibre de "American Jesus", "Infected" e "Sorrow" (para citar as mais famosas) e com o álbum "Suffer", lançado em 1988 e considerado um clássico do gênero.

O grupo lançou em 1983 o controverso álbum "Into the Unknown", em que abandonou o punk rock em favor de uma sonoridade cheia de teclados, flertando com hard rock e rock progressivo setentista. O álbum causou o fim temporário da banda, que voltaria a se reunir com outra formação para gravar o EP apropriadamente intitulado "Back to the Known".

Outro período controverso da história da banda foi entre 1995 e 2001. Nesse intervalo, banda viveu uma fase de baixa no meio do punk rock por ter apostado em composições mais lentas e melódicas, o que ocorreu após a saída de Brett Gurewitz, guitarrista e um dos principais compositores do grupo. Também contribuiu para esse período, o fato da banda estar na gigante Atlantic Records, o que não era bem visto pelos fãs mais radicais de punk rock.

Desde a volta de Brett Gurewitz, que participa dos processos de composição e gravação dos álbums mas raramente excursiona com a banda, o Bad Religion já lançou 6 álbums, o último em 2013, todos pela Epitaph Records, gravadora do próprio guitarrista.

Ao longo de seus 38 anos de atividade e 16 álbums de estúdio, o grupo californiano construiu um vasto catálogo de músicas. E mesmo nas suas fases mais odiadas e esquecidas, o grupo sempre manteve sua marca principal: as letras inteligentes do vocalista Greg Graffin. Enquanto bandas contemporâneas, como Social Distortion e Descendents, cantavam sobre histórias de amor, mulheres, e corações partidos, o Bad Religion abordava os mais diversos assuntos em suas letras.
Com um PhD em zoologia e 4 livros publicados, o vocalista consegue (quase sempre) em menos de 3 minutos colocar questões existenciais, sociais, políticas e filosóficas na cabeça de seus ouvintes. Para dar ainda mais força às suas letras, Greg Graffin sempre canta cada palavra com uma paixão inconfundível, mostrando que realmente acredita no que escreve.

No final das contas, com uma carreira tão longa e tanto material lançado, é natural que algumas músicas não sejam lembradas pelos fãs e pela própria banda em seus shows. Junte a isso a falta de aceitação de alguns álbums, e algumas verdadeiras preciosidades foram esquecidas com o tempo.
A lista de hoje tenta fazer justiça a algumas dessas músicas e serve como incentivo para revisitar e (re)descobrir toda a discografia de uma das melhores bandas de punk rock dos últimos 30 anos.


10) 1000 Memories
Album: The New America (2000)
"The New America" foi o último álbum do Bad Religion pela Atlantic Records e foi produzido por Todd Rundgren, que trabalhou com bandas como Badfinger e Meat Loaf. O álbum tem as letras mais pessoais que Greg Graffin já escreveu. Em "1000 Memories", o cantor trata com tristeza mas também com realismo o divórcio de sua ex-esposa. Musicalmente, a música é típica da fase melódica do grupo, com uma interessante mudança de ritmo na marca de 1:21.



9) Slumber
Album: Stranger Than Fiction (1994)
"Slumber" é uma lição de vida em forma de música, ainda que Greg cante no final "I'm not to good at giving morals". A mensagem principal dele é que nossas vidas são importantes mas insignificantes ("Your life is historically meaningful/And spans a significant time"; "Lift up your head and walk away/Knowing we're all in this together/For such a short time anyway"). A música é uma espécie de balada punk com um refrão poderoso e um solo de guitarra excelente.



8) Materialist
Album: The Process of Belief (2002)
Em menos de 2 minutos, "Materialist" mostrou que a banda ainda era capaz de escrever músicas rápidas. Os tradicionais backing vocals "ooohs" e "aaaahs", marca registrada da banda, são empregados com perfeição no refrão.



7) Best for You
Album: Suffer (1988)
"Best For You" se destaca pela letra que fala sobre como somos julgados diariamente por todos ao nosso redor. E Greg Graffin repete o refrão com a mesma frequência exaustiva que ouvimos as pessoas falarem que sabem o que é melhor pra nós.



6) Yesterday
Album: Back to the Known EP (1984)
"Yesterday" é uma ótima reflexão sobre a passagem do tempo feita num ritmo moderado de punk rock.



5) Sowing the Seeds of Utopia
Album: No Substance (1998)
"Sowing the Seeds of Utopia" ataca a classe política de forma bem direta, fazendo referências aos gastos com campanha eleitoral e ao total descompromisso com a população. Apesar de fazer parte do álbum "No Substance", que é da fase Atlantic Records, a música é punk rock sem firulas que ganha uma velocidade empolgante aos 14 segundos.



4) A Streetkid Named Desire
Album: The New America (2000)
Essa é outra música com letras pessoais, em que Greg Graffin fala de sua adolescência como um jovem punk rocker. A presença de Brian Baker é percebida nas linhas de guitarra minuciosas e cheias de detalhes, o que não é comum do gênero.



3) Lost Pilgrim
Album: New Maps of Hell (2007)
Em "Lost Pilgrim", Greg Graffin surpreende no refrão com belas variações vocais. A música tem uma das melhores melodias que a banda já escreveu.



2) Live Again (The Fall of Man)
Album: The Empire Strikes First (2004)
Abordando nas letras a mentalidade que move os homens bombas, "Live Again" é uma aula de punk rock melódico, com seus versos rápidos e refrão cheio de harmonias vocais.



1) Pity the Dead
Album: The Gray Race (1996)
A morte é melhor que a vida? De acordo com Greg Graffin nos 2:57 de "Pity the Dead", sim. A vida é uma cacofonia mortal e miserável, enquanto na morte, encontramos o silêncio e a paz eterna. Logo, não há motivo para lamentarmos pelos mortos. É difícil não concordar ouvindo a intensidade com que ele canta isso, especialmente no bridge, que é um dos momentos mais memoráveis do Bad Religion.


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